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Christopher Nolan se inspirou em ‘Odisseia’ feminista? Entenda a polêmica

Tradução de "Odisseia" gerou debates por uso de termos gregos tradicionalmente suavizados, como “criadas”, por palavras como “escravizadas”

Por Lorraine Moreira 17 jul 2026, 17h57 | Atualizado em 17 jul 2026, 17h58
Uma mulher de pele clara, cabelo escuro preso, vestido azul-petróleo plissado com cinto vermelho e gola dourada, segura um chicote. Ao fundo, outra mulher de vestido vinho e um trono de pedra esculpido com uma árvore. O ambiente é escuro, iluminado por tochas e lustres antigos, com colunas e paredes de pedra.
"A Odisseia", de Christopher Nolan, conta com elenco estrelado (Foto/Divulgação)
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A história de Odisseia resistiu ao tempo. Escrita no século 8 a.C., após longo período na tradição oral, a obra narra a trajetória do herói grego Ulisses, que passa 20 anos tentando voltar para casa depois da Guerra de Troia. A narrativa aborda temas como amor, esperança, fé e bravura.

De clássico milenar a blockbuster: como Odisseia voltou ao centro da cultura pop

O diretor Christopher Nolan, de terno preto, gesticula enquanto conversa com dois atores vestidos como guerreiros espartanos, um com elmo e capa, e outro com armadura escura, em uma floresta com árvores altas e neblina. Um operador de câmera e outros membros da equipe estão ao redor. O selo Exclusive Empire Behind-the-Scenes aparece no canto inferior esquerdo
Cenário do filme de “A Odisseia”, de Christopher Nolan (Foto/Divulgação)

A obra voltou a ganhar destaque com sua adaptação para o cinema, dirigida por Christopher Nolan e lançada em 17 de julho de 2027. O filme, com um elenco que inclui Anne Hathaway, Tom Holland e Zendaya, também trouxe atenção para uma tradução da Odisseia de Homero, realizada por Emily Wilson.

Publicada em 2017 pela professora de estudos clássicos da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a tradução passou a ser apontada por usuários como uma das inspirações para a adaptação cinematográfica do épico. Wilson, no entanto, não produziu uma versão convencional do texto.

Sua tradução, a primeira versão completa em inglês da Odisseia feita por uma mulher, apresenta uma linguagem modernizada. Embora mantenha base acadêmica sólida, recebeu críticas por seu tom coloquial e por escolhas consideradas “de caráter político”.

O que há de controverso na tradução de Odisseia, feita por Emily Wilson

Mulher de pele clara, cabelos castanhos ondulados, óculos escuros e blusa listrada preta e branca, olhando séria para frente, com árvores e céu azul ao fundo
A tradução de Emily Wilson de “Odisseia” é repleta de polêmicas (Foto/Wikimedia Commons)
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Expressões como “discurso motivacional” e “você só pode estar brincando”, atribuídas a heróis e deuses, aparecem na tradução de Wilson. Para a tradutora, a linguagem arcaica funciona como um artifício estilístico que associa, de forma enganosa, grandiosidade à erudição.

Também tradutor da Odisseia, Daniel Mendelsohn criticou a versão de Wilson ao afirmar que ela elimina parte significativa das sutilezas do original. Segundo ele, a tradução teria deixado de fora cerca de um terço do texto atribuído a Homero. 

Wilson passou a traduzir termos gregos tradicionalmente suavizados, como “empregadas” ou “criadas”, por palavras como “escravizadas”. Na célebre primeira linha do poema, o termo grego polytropos, que significa “de muitas voltas”, “de muitas faces” ou “astuto”, aparece como “complicado” em sua tradução, para definir o protagonista. A escolha indica falhas morais do personagem.

Emily Wilson rebate críticas que recebeu no X, antigo Twitter

Na rede X, antigo Twitter, a tradutora recebeu críticas e foi acusada de moralismo exagerado em razão dessas mudanças. 

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Em entrevista ao Telegraph, rebateu: “Seria bom pensar que isso fosse um diálogo sério sobre literatura, poesia, tradução e o estudo do grego antigo. Eu adoraria isso. Mas acho que se trata de pessoas que se apegam a formas de reforçar posições muito limitadas e tóxicas que já possuem. Não se trata de aprender nada, e isso me parece triste”.

Um aspecto que diferencia sua tradução de muitas outras, e que se mantém fiel ao texto original, é a ausência de expansão ou redução das linhas. Sua versão preserva exatamente a mesma contagem de linhas do original em grego.

Assim como a tradução de Wilson, o filme de Nolan também é alvo de debates nas redes sociais. A escolha da atriz queniano-mexicana Lupita Nyong’o para o papel de Helena de Troia gerou críticas de figuras como Elon Musk, que afirmou que “Chris Nolan está profanando o túmulo de Homero”.

Segundo Wilson, Nolan não solicitou sua colaboração direta.

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