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Março Lilás: como prevenir o terceiro câncer do colo do útero

Conversamos com a ginecologista Mariana Rosario, que explica sobre tratamentos e a prevenção do HPV

Por Sarah Catherine Seles 22 mar 2022, 09h18
câncer do colo do útero
Adenomiose é uma doença tão frequente quanto a Endometriose, apesar de ser pouco conhecida (Anete Lusina/Pexels)
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Você sabia que neste mês acontece o chamado março Lilás? Dedicado ao câncer de colo do útero, ele é uma importante ferramenta de prevenção  para a saúde da mulher. E não é para menos: dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, no Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, este é o terceiro tipo mais comum entre as mulheres.

Em 2021 foram estimados 16.710 novos casos, cerca de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. O câncer do colo do útero é causado pelo papilomavírus humano, o HPV, sigla em inglês para designar um vírus que infecta pele ou mucosas (de forma oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, provocando verrugas anogenitais  e câncer, dependendo do tipo de vírus.

O HPV está geralmente em rugas no períneo e pode contaminar a vagina e colo do útero. O contato é pela relação sexual sem o uso de preservativo”, explica Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista, membro do corpo clínico do hospital Albert Einstein. A prevenção por meio do uso de camisinha é essencial para evitar o câncer de colo de útero, já que é a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que causa 99% dos casos.

Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista
Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista (Divulgação/Divulgação)

“O vírus tem a capacidade de fazer modificações até genéticas nas células do colo do útero e aí ocorre uma multiplicação celular desenfreada, o que gera o câncer. Em geral, esse processo demora quase dez anos para acontecer, não é uma coisa de uma hora pra outra, por isso é importante fazer o papanicolau todo ano“, reforça Mariana.

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A maior forma de prevenção, depois do uso do preservativo, é a vacina, disponível no SUS para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, portadores de HIV e pessoas transplantadas dos 9 aos 26 anos com acompanhamento médico. Já na rede privada, é possível ter acesso às duas doses com indicação médica. “As vacinas impedem os tipos mais perigosos do HPV de causar câncer“, explica.

A obstetra aponta ainda: “Toda mulher precisa fazer o Papanicolau anualmente, um exame que detecta a presença de doenças no aparelho reprodutor. A partir do momento em que a mulher é contaminada pelo HPV, ela necessita ficar ainda mais atenta, fazendo a vulvoscopia e a colpocitologia oncótica, que são exames simples, realizados no mesmo momento do Papanicolau, mas que têm a função de verificar se o HPV está ativo no organismo, causando lesões. Se aparecerem sintomas, é preciso cauterizá-las, com o uso de métodos adequados, como laser ou ácidos, para que o problema não avance e o câncer apareça”.

Não existe um tratamento específico para eliminar o Papilomavírus humano do organismo. Ele pode desaparecer espontaneamente ou ficar latente pela vida inteira, manifestando-se quando a imunidade baixa. Quando aparecem verrugas genitais, o tratamento é individualizado, variando conforme a opção médica, o tamanho, a quantidade e a localização das lesões.

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