HPV tem cura? Os 13 principais mitos e verdades sobre o vírus
Verdade ou mentira? Conheça os maiores mitos envolvendo o HPV (papilomavírus humano)

O HPV é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum do mundo, e pode afetar tanto homens quanto mulheres. A transmissão, em sua maioria, ocorre por meio do sexo, mas pode acontecer pelo contato direto com a pele ou mucosa infectadas. No entanto, mesmo sendo extremamente comum, a doença ainda é cercada por inúmeros tabus e desinformações. A seguir, nós compilamos os principais mitos e verdades sobre o papilomavírus humano:
Vacina contra o HPV causa reações graves?
A vacina é segura e, como qualquer outra, pode causar reações leves, como dor no local e febre baixa.
Somente mulheres devem tomar a vacina do HPV?
A vacinação é recomendada para homens e mulheres. “Além de serem portadores do vírus para suas parcerias, os homens também podem desenvolver lesões precursoras do câncer”, destaca.
Quem já foi infectado não precisa da vacina?
Mesmo que já tenha sido infectado, o paciente deve tomar o imunizante a fim de prevenir infecções futuras por outro tipo de HPV.
O imunizante é eficaz apenas em crianças e adolescentes?
Jovens e adultos de até 45 anos ainda podem estar suscetíveis a infecções.
A vacinação incentiva o início da atividade sexual?
O ato de se vacinar não tem nenhuma relação com o incentivo à atividade sexual. A falta de evidências sobre o assunto enfatiza a importância da vacinação para prevenções futuras.
A vacinação do HPV causa infertilidade?
O HPV, em geral, não afeta a fertilidade. Entretanto, alguns tratamentos sobre o colo do útero (necessário em certos casos) podem levar à dificuldade em manter a gestação, uma vez que o colo é responsável por manter o bebê no útero”, diz.
HPV causa câncer?
Nem todos. Os tipos mais comuns relacionados à doença são os 16 e o 18.
Usar preservativo evita totalmente o contágio?
Embora o uso da camisinha seja recomendado, ela não oferece proteção completa contra o HPV, pois o vírus pode estar em áreas não cobertas. Mesmo assim, a utilização é essencial para reduzir os riscos de transmissão.
“O preservativo é fundamental para a proteção contra várias infecções de transmissão sexual. Porém, no caso do HPV, ele não protege o genital externo masculino (escroto) e feminino (vulva). Portanto, sua proteção é limitada”, informa a ginecologista Marcia Terra Cardial.
A vacina protege contra todos os tipos de HPV
A vacina disponibilizada no Brasil oferece proteção somente contra os vírus 6, 11, 16 e 18. “São mais de 200 tipos virais e 40 que atingem o genital. Apesar de não proteger contra todos, é eficaz em combater os tipos mais frequentes e perigosos”, enfatiza.
Depois de vacinado, não há a necessidade de realizar exames de Papanicolau?
O exame de Papanicolau é usado para detectar mudanças celulares no colo do útero. Realizá-lo de forma regular é fundamental para a saúde da mulher. “As mulheres que têm HPV podem eliminar espontaneamente o vírus ou serem tratadas e nunca desenvolverem o câncer. Em outros casos podem desenvolver o câncer”, informa Marcia.
Não tenho histórico familiar. Logo, não devo me preocupar.
Você ainda pode estar em risco mesmo que ninguém da sua família tenha sido diagnosticado com a doença, pois ela não envolve questões hereditárias.
Apenas pessoas sexualmente ativas precisam da vacina?
A vacina oferece melhores resultados se for administrada antes da exposição ao HPV.
Toda verruga é um sinal negativo?
As verrugas genitais são quase sempre benignas e, na maioria dos casos, não levam ao câncer.
Tipos de HPV
De acordo com a doutora Marcia Terra Cardial, ginecologista e presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia, o HPV possui mais de 200 subtipos. Os de baixo risco podem causar verrugas nos genitais, ânus, colo do útero e vagina. Já os de alto risco têm maior probabilidade de estarem associados a lesões pré-cancerígenas.
“A transmissão do HPV acontece por contato pele a pele e pele e mucosa. Portanto, não necessariamente o contato precisa ser sexual. Há casos de auto contaminação e há casos de reativação de uma infecção antiga”, diz a profissional.
Em muitos casos, o HPV não apresenta sintomas. Os sinais aparecem de dois a oito meses após o contato, com lesões nas áreas anteriormente citadas. Porém, é possível que a manifestação surja somente após anos.
Marcia declara: “Há duas formas mais comuns de aparecimento: verrugas, que são visíveis externamente e causadas por tipos virais não oncogênicos; e lesões não visíveis, que aparecem como alterações no papanicolau ou mesmo no teste HPV”.
Vacina contra o HPV (rede pública)
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina contra o HPV gratuitamente para diversos grupos:
- Crianças e adolescentes: Meninas e meninos de 9 a 14 anos (até 14 anos, 11 meses e 29 dias).
- Pessoas transplantadas: Homens e mulheres que passaram por transplante de órgãos.
- Pacientes com câncer: Pessoas em tratamento oncológico com quimioterapia e radioterapia.
- Pessoas vivendo com HIV/Aids: Indivíduos com diagnóstico de HIV/Aids.
- Vítimas de violência sexual: Pessoas que sofreram violência sexual.
A vacina contra o HPV está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o esquema de doses varia de acordo com a idade e condição de saúde:
Para meninas e meninos de 9 a 14 anos:
- São necessárias duas doses da vacina.
- O intervalo entre as doses é de 6 meses.
Para pessoas de 9 a 45 anos com condições clínicas especiais:
Este grupo inclui pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea, pacientes oncológicos e imunossuprimidos por doenças e/ou tratamento com drogas imunossupressoras.
- São necessárias três doses da vacina.
- O intervalo entre a primeira e a segunda dose é de 2 meses.
- O intervalo entre a primeira e a terceira dose é de 6 meses.
- É necessário apresentar prescrição médica para a vacinação.
Esquema da vacina papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante) – Vacina HPV4
1. Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos:
- Se NÃO vacinados: Administrar dose única.
2. Vítimas de abuso sexual (homens e mulheres de 9 a 45 anos):
- De 9 a 14 anos: 2 doses da vacina (com intervalo de 6 meses entre elas).
- De 15 a 45 anos: 3 doses da vacina (com intervalo de 2 meses entre a 1ª e a 2ª dose, e 6 meses entre a 1ª e a 3ª dose).
- Se já iniciou a vacinação, completar o esquema de acordo com a idade, respeitando o intervalo entre as doses.
3. Pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PPR):
- 3 doses da vacina (com intervalo de 2 meses entre a 1ª e a 2ª dose, e 6 meses entre a 1ª e a 3ª dose).
- Necessário apresentar prescrição médica e documento com consentimento dos pais ou responsáveis (para menores de 18 anos).
4. Pessoas de 9 a 45 anos vivendo com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea, e pacientes oncológicos:
- 3 doses da vacina (com intervalo de 2 meses entre a 1ª e a 2ª dose, e 6 meses entre a 1ª e a 3ª dose).
- Necessário apresentar prescrição médica.
Observações importantes:
- Pessoas com esquema vacinal completo não precisam de doses adicionais.
- Pessoas com esquema vacinal incompleto devem tomar as doses restantes para completar a proteção.
As informações acima estão disponíveis no portal da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.
Vacina contra o HPV na rede privada
Enquanto a rede pública oferece a vacina contra o HPV para grupos específicos, na rede privada ela está disponível para homens e mulheres de qualquer idade até 45 anos.
E tem mais: a vacina disponível na rede privada oferece proteção contra 5 tipos a mais do vírus HPV, ampliando a sua proteção contra doenças relacionadas, como cânceres e verrugas genitais.
Vale a pena considerar a vacinação na rede privada para:
- Maior proteção: aumenta a defesa contra diferentes tipos de HPV.
- Flexibilidade: você pode se vacinar independentemente da idade ou do grupo de risco.
- Prevenção: a vacina é a forma mais eficaz de prevenir doenças causadas pelo HPV.

Vale lembrar que, além de responsável pela maioria dos casos de câncer de colo de útero, o vírus também pode causar câncer de ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe. A doutora declara: “O HPV se relaciona a 99% dos cânceres de colo de útero, 90% dos cânceres de vagina e ânus, 30-40% dos cânceres de vulva e orofaringe”.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.