Relâmpago: Revista em casa a partir de 10,99

Renata Vanzetto: “Não quero ser uma superchef, quero ser feliz”

À frente de 12 empreendimentos, a cozinheira, influenciadora digital e mãe de 3 revela em primeira mão os planos audaciosos para 2025

Por Luiza Fecarotta
10 jan 2025, 08h00
Renata Vanzetto é a capa da Revista CLAUDIA em janeiro de 2025
Na capa da edição de janeiro da Revista CLAUDIA, Renata Vanzetto veste maiô Havaianas; brincos Mariah Rovery e colar Luiza Dias 111 (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)
Continua após publicidade

Renata Vanzetto vai fechar seu restaurante mais autoral, o Ema. Em outras palavras, ela vai lhe dar um sabático, para que possa arejar algumas ideias e gerar, a partir delas, algo novo, que esteja mais em sintonia com o que acredita ser um lugar alegre, com boa comida e mais acessível do que o Ema se tornou ao longo dos anos de funcionamento na capital paulista

Embora a chef e empresária tenha hoje um pequeno reinado gastronômico, composto por 12 empreendimentos, entre restaurantes, bares, bufês e uma loja de artigos de casa, o Ema sempre foi sua menina dos olhos — onde se enfiava na cozinha e usava o tanto de pimenta e de coentro que bem entendia.

Renata Vanzetto é a capa da edição de janeiro da Revista CLAUDIA em 2025.
Camisa Framed e Maiô Hope Resort (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

Ele nasceu num momento controverso, em 2013, quando Renata estava se recuperando do luto da perda de um namorado no mar, com quem teve uma paixão enlouquecedora. Recusou-se a fazer terapia, considerou largar a cozinha, e nunca mais voltou para a casa onde moravam, em São Paulo.

Um dia, sua mãe comprou tintas e ela começou a pintar. Pintar mulheres pescoçudas, que viraram emas e faziam referência às mulheres de sua família. “Aluguei a primeira casinha do Ema na rua da Consolação para fazer um ateliê. Um dia, pensei: ‘Vou abrir um negocinho aqui e vai se chamar Ema’.”

Abrir o Ema foi uma forma de fazer as pazes com a cozinha. Renata precisou criar uma coisa muito prazerosa, que a trouxesse de volta, de um ano de muito sofrimento. Foi nessa minicozinha, à vista dos clientes, que mostrou, ao longo de 11 anos, sua criatividade e suas receitas mais icônicas, que combinam delicadeza e intensidade e deixam explícito seu fraco pelos temperos.

Hoje, ela já não se identifica tanto com o que o Ema virou, e quer lhe dar uma cara nova, mais informal. Revelou à CLAUDIA em primeira mão, que fecha suas portas em março, já com planos de reabrí-lo diferente

Continua após a publicidade
Renata Vanzetto é capa da Revista CLAUDIA de janeiro em 2025.
Lenço e brincos Acervo e Maiô Hope Resort (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

Se existe certa melancolia de um lado, ela anuncia, ao mesmo tempo, a abertura de um novo negócio: a doceria Marcos e Renê, cujo nome homenageia seu pai e seu tio, que são parecidos, engraçados e comedores enlouquecidos de doce.

Foi o sucesso dos biscoitos Maravilha que despertou a chef. Eles estão à venda em sua Mercearia Maravilha, empreendimento com 600 tipos de produtos para casa, desenvolvidos por ela, que virou um fenômeno já em seu lançamento e hoje fatura mais que alguns dos restaurantes do Grupo Eme.

Renata aproveitou o fato de ter conseguido o ponto ensanduichado pelo MeGusta e pelo Matilda, na rua Bela Cintra, que ela namora há dez anos e até hoje ficou ocupado por uma loja de molduras. No mesmo espaço irá funcionar um café, e sua ideia é mantê-lo aberto até meia-noite. 

O projeto ainda está em desenvolvimento mas ela dá spoilers. Revela, por exemplo, que vai servir a torta ridícula, cuja receita viralizou na época da pandemia.

Continua após a publicidade
Renata Vanzetto é a capa de janeiro de 2025 da Revista CLAUDIA.
Camisa Mango e Brincos Lis Bedini (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)
Renata Vanzetto é a capa de janeiro de 2025 da Revista CLAUDIA.
Aos 36 anos, Renata recebe uma média de 30 mil clientes por mês em seus estabelecimentos. (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)
Revista CLAUDIA - Janeiro de 2025 - Renata Vanzetto
Antes de entrar para a gastronomia, Renata vendeu pano de prato. (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

Fácil de fazer, leva na base uma massa com bolacha maisena triturada e, em cima, um creme com leite condensado e iogurte, e morangos picados. Renata deve fazer, ainda, um compilado das receitas de mais sucesso em seus restaurantes — do Muquifo, diz, trará o bolo de cenoura, com calda de brigadeiro. 

Empreendedora nata

Aos 36 anos, além dos restaurantes nos quais recebe uma média de 30 mil clientes por mês, realiza até 60 festas em meses mais agitados e lidera centenas de funcionários.

Continua após a publicidade

Com 255 mil seguidores no Instagram, Renata coordena seus negócios gastronômicos com sua face influenciadora, que hoje envolve uma equipe de três pessoas, e com a sua vida de mãe — tem três filhos pequenos, o Ziggy, de 6 anos, o Max, de 3, e a Suri, de 2.

Nos aniversários dos pequenos, aliás, a chef se dedica a preparar tudo pessoalmente. “É meu hobby da vida. Crio tudo, desenvolvo até as cerâmicas que vão na mesa, desenho o bolo, a estampa do tecido que embrulha o bolo de coco. Amo.” Sua mente inquieta flerta, inclusive, com a ideia ainda longínqua de fazer disso mais um negócio.

“Desde novinha eu era uma miniempreendedora.” Antes de enveredar para a gastronomia, que a levou a essa projeção, Renata vendeu pano de prato.

Aos 10 anos, juntou-se aos amigos da Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, onde cresceu, e formou uma associação para acolher animais desamparados em uma casa abandonada. Molhava a pata dos cachorros na tinta, carimbava os panos de prato e os vendia no estacionamento do supermercado, para arrecadar dinheiro para ração e remédio.

“Desde novinha eu era uma miniempreendedora. Meu pai era rico, um dia ficou pobre, perdeu tudo”

Continua após a publicidade

Antes de sua família empobrecer, vendeu hambúrguer congelado, da Sadia, com queijo, enrolado no papel-alumínio, na escola, cuja cantina era natureba e vegetariana —“Me podaram, não podia”, lembra. Nessa cantina, que também não vendia refrigerante nem chocolate, ela passou a ofertar seus vidros de pimenta curtida em saquê e em cachaça. 

“Meu pai era rico, um dia ficou pobre, perdeu tudo”, diz Renata. “A gente não passou fome, mas lembro que minha mãe não parava de chorar”, conta sua irmã mais nova, Luiza.

Para que as duas fossem mantidas na escola privada, Renata teve de trabalhar na recepção, atendendo a ligações. No colegial, uma professora a chamou para auxiliá-la em uma aula de cozinha para as crianças que, mais tarde, Renata assumiu sozinha. Era tudo sem fogo. As crianças batiam frutas vermelhas com iogurte e faziam salada de fruta. 

“Meus pais não tinham um real e eu cismei que só seria uma chef se viajasse para a Europa.” Para juntar dinheiro, ela organizou um brechó na Ilhabela, com uma amiga, cujo chamariz era café e bolo de graça.

Ela mesma fazia os bolos, com as receitas da avó, que também cedeu a casa para o evento. Ambas arrecadaram peças antigas dos familiares que lhes renderiam, a princípio, três dias de bazar.

Continua após a publicidade

“Tenho sete tias e todas me mandavam sacos de roupas de São Paulo. Na Ilha, todo mundo raspava o armário para doar, e a gente acabou ficando mais de um mês com o brechó.” Juntou ao valor conquistado um prêmio que ganhou, à mesma época, e foi para a Europa sem falar outra língua, com dinheiro contado e sem ter o que fazer. 

O prêmio, aliás, foi o primeiro como cozinheira. Nervosíssima, apresentou-se num concurso de gastronomia, em plena praça da cidade, na Ilhabela. Fez uma receita da qual ela mesma ri, hoje, ao lembrar: “Atum em mil crostas [risos]. Cada cubo de peixe foi embalado de um jeito, com pistache, gergelim e limão”, zomba. 

Revista CLAUDIA - Janeiro de 2025 - Renata Vanzetto
Maiô Havaianas; Brincos Mariah Rovery e Colar Luiza Dias 111 (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

Generosidade caiçara

Não foi a primeira vez que ganhou dinheiro cozinhando. Nesse mesmo período, antes de embarcar para uma temporada em Barcelona, que emendou em uma estadia na França, Renata cozinhava o dia inteiro por incentivo do primeiro sogro, Ricardo Ferri, arquiteto famoso da Ilhabela que lhe apresentou produtos aos quais não tinha acesso — camarão, lagosta, javali.

Renata Vanzetto em ensaio fotográfico para a revista CLAUDIA.
Maiô Acervo e Brincos Tauanna Borazzo (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)
Renata Vanzetto em ensaio fotográfico para a Revista CLAUDIA.
A carreira de Renata Vanzetto em restaurantes começou, oficialmente, em 2007, com um empréstimo de R$ 30 mil no banco. (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

Hoje, o ex-namorado, Fernando Ferri, com quem ficou dos 13 aos 20 anos, é seu sócio no Grupo Eme, além de arquiteto dos projetos e melhor amigo. É dele a deslumbrante CasaFlechas, espaço todo integrado à natureza que serviu de cenário para as fotos deste ensaio. 

“Foi como voltar às raízes fotografar naquela casa, eu cresci ali.” O pai de Nando foi quem a colocou em contato com uma milionária para quem Renata fez o primeiro jantar particular. “Era a maior casa da Ilhabela, tinha até heliponto.” A partir daí, passou a fazer um evento seguido do outro. Era uma atração em si uma adolescente cozinhando profissionalmente.

Em Barcelona, Renata ouviu uma série de nãos durante sua procura por emprego. No final das contas, ela conseguiu um bico em um bufê.  “Ficava num castelo surreal, numa cidadezinha que eu chegava de trem.” De lá, foi para a França de súbito, quando um cozinheiro baiano, que conheceu na Ilhabela, recorreu a ela para que substituísse um profissional de sua equipe que havia se acidentado.

“Foi como voltar às raízes fotografar na CasaFlechas. É uma casa que eu cresci ali, participei da obra, fui na cozinha para medir a altura da bancada para mim”

“Eu não via a luz do sol. Saía de manhã, ainda escuro, e voltava de madrugada. Lavava chão, descascava sacos gigantes de batatas. Todos os dias.” Mais tarde, “megadeprê, com frio e sozinha”, foi promovida às entradas e teve a chance de fazer preparos como steak tartare e salada de ovo e salmão curado.

No retorno ao Brasil, aos 18 anos, abandonou a faculdade de gastronomia em São Paulo, depois de quatro dias. “Voltei para Ilhabela, e abrimos o Marakuthai.” A carreira de Renata Vanzetto em restaurantes começou, oficialmente, em 2007, com um empréstimo de R$ 30 mil no banco.

O espaço minúsculo foi composto com doações da família —fogão, micro-ondas, liquidificador. “Fizemos o restaurante com tudo usado. A gente não tinha grana e o charme veio daí”, conta sua mãe, Silvia Camargo, que até hoje é sócia nos negócios junto de suas duas filhas.

Não só as três convivem nos empreendimentos, como também cinco tias e uma prima — da família, ao todo, são dez pessoas. Algumas tias, inclusive, montaram um negócio de locação de louças para abastecer o bufê, que hoje atende grandes casamentos.

“Nossa família é quase toda de mulheres e todas são unidas”, diz Luiza, irmã caçula de Renata, que entrou na operação do primeiro Marakuthai com 15 anos. Para Renata, sua grande inspiração é a avó Cida, que morreu no ano passado, em 2024, uma semana antes de completar o centenário. 

Embora Renata tenha sido conduzida por grandes mulheres, ela virou sócia do Ema, do Muquifo, do Matilda, do MeGusta, do Mé, do Miamo, do Mamma Vanzetto, do Buffet Vanzetto, da Casa Vanzetto, da Mercearia Maravilha e do Pescadora, este último em Ilhabela, à custa de algum perrengue. Antes de abrir seu Ema, largou tudo mais uma vez para sua segunda experiência internacional. 

Além das fronteiras

Sua curiosidade a moveu até o Noma, na Dinamarca, e até a cozinha de René Redzepi, cujo restaurante, símbolo do movimento da nova cozinha nórdica, foi eleito consecutivas vezes o melhor do mundo pelo 50 Best, prêmio da revista inglesa Restaurant. No Noma, do qual trouxe varizes nas pernas, observou a elaboração de pratos lindos, mas viveu uma guerra.

“Não tenho a menor pretensão de ser uma superchef. Quero ter restaurantes legais e ser feliz”

Revista CLAUDIA - Edição de janeiro de 2025 - Renata Vanzetto
Maiô Acervo e Brincos
Tauanna Borazzo (Raquel Espírito Santo/CLAUDIA)

“Ficava com os estagiários, tirando brotinho, aquele nhé-nhé-nhé, ia pro mangue catar algas, foi sinistro, muito desgastante.” Depois de gesticular energicamente, Renata respirou, fez uma pausa mais prolongada e contou que pós-Noma abriu o Ema e que, ao longo do tempo, vieram os outros empreendimentos. “Não tenho a menor pretensão de ser uma superchef. Quero ter restaurantes legais e ser feliz.” 

Hoje, casada com o arquiteto californiano Cassiano Bonjardim (“O cara mais legal do mundo, juro”), que também é seu sócio, dedica-se à sua família com o mesmo entusiasmo e objetivo: ser feliz. “Eu não paro de falar. Estou até com dor de garganta.” Para encerrar, o que Renata faz fora do trabalho e para além da maternidade? “Nada. Brincadeira. Eu como.”

Créditos

TEXTO Luiza Fecarotta 

FOTO Raquel Espírito Santo 

STYLING Lis Bedini 

BELEZA Daniela Guidon 

DIREÇÃO DE ARTE Kareen Sayuri

Edições anteriores de CLAUDIA

Assine a newsletter de CLAUDIA

Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

Acompanhe o nosso Whatsapp

Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

Acesse as notícias através de nosso app 

Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
10 grandes marcas em uma única assinatura digital

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!

Receba mensalmente Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições
digitais e acervos nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

A partir de 10,99/mês

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.