Tradicional clássico natalino e a magia do “O Quebra Nozes” em São Paulo
41ª temporada oferece a oportunidade de vivenciar a magia das festas natalinas por meio da dança

Poucos balés encapsulam tanto o espírito natalino ou aquecem nossos corações quanto “O Quebra-Nozes”. Desde sua estreia mundial em 1892, no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, a obra, coreografada por Marius Petipa e Lev Ivanov, sobre a deslumbrante música de Tchaikovsky, tornou-se um símbolo da época festiva.
Apesar de uma recepção inicial morna, o balé conquistou seu lugar como um clássico natalino no século 20, especialmente nos Estados Unidos, onde ganhou popularidade a partir da década de 1940, com montagens que transformaram a obra em uma tradição anual. No Brasil, “O Quebra-Nozes” começou a ser encenado nos anos 1950, tornando-se um marco nas temporadas de balé clássico e um espetáculo aguardado nas festas de fim de ano.
A história do balé é baseada em “O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos” (Nussknacker und Mausekönig), um conto de E.T.A. Hoffmann publicado em 1816. Hoffmann, conhecido por seu estilo sombrio e fantástico, criou uma narrativa rica e complexa, que combina sonhos, medos infantis e um senso de magia atemporal.

Porém, foi a adaptação mais leve de Alexandre Dumas, publicada em 1844, que inspirou Marius Petipa. Dumas simplificou e suavizou a trama, transformando a história em um conto de fadas encantador, mais adequado para o balé e para o público da época.
Petipa era um mestre em escolher histórias que equilibrassem exotismo, encanto e potencial para coreografias deslumbrantes. Ele viu em “O Quebra-Nozes” a oportunidade de explorar tanto a fantasia de um mundo mágico quanto a estrutura episódica do segundo ato, permitindo a inclusão de danças “divertissement” que celebram diferentes culturas e estilos.
No entanto, Petipa não viveu para concluir a coreografia, delegando grande parte do trabalho a Lev Ivanov, que trouxe uma sensibilidade onírica e poética à produção. Desde então, houve inúmeras versões totalmente em cima dessa original ou completamente inovadoras, é só escolher.
O clássico “O Quebra Nozes” nos palcos de São Paulo há 41 anos
Até o dia 23 de dezembro, o Teatro Santander será palco mais uma vez para a 41ª temporada do clássico ballet “O Quebra-Nozes”, uma produção da tradicional Cisne Negro Cia de Dança, após o sucesso de apresentações no Auditório Ibirapuera.
“Na Temporada do Auditório Ibirapuera recebemos pela terceira vez Aurora Dickie, que já tinha participado em 2017 e 2018, acompanhada de Rafael Vedra. Ambos estão com carreira consolidada na Alemanha. Também temos o Felipe Carvalhido, que interpreta o tio de Clara há 18 anos e segue conosco para o Teatro Santander. Nesta segunda parte, além da participação da famosa bailarina brasileira Ana Botafogo que interpreta a mãe de Clara, temos como solistas convidados os bailarinos do Monike Cristina e Ivan Domiciano do Joburg Ballet de Johanesburgo na África do Sul”, explica a diretora Dany Bittencourt.

O espetáculo, que se tornou sinônimo de Natal na capital paulista, é apresentado ininterruptamente desde sua estreia, oferecendo ao público a oportunidade de vivenciar a magia das festas natalinas por meio da dança e com a belíssima música de Tchaikovsky, já visto por um público estimado em mais de 500 mil pessoas.
“Já virou uma tradição na cidade de São Paulo. Esse sucesso é uma consequência de anos de trabalho e o empenho em entregar apresentações especiais, com muita qualidade técnica e cênica”, celebra Dany Bittencourt.

A história desse ballet é dividida em dois atos, e narra a fantasia de Clara, uma menina que recebe diversos presentes na noite de Natal, mas se encanta especialmente com um boneco quebra-nozes, dado por seu tio. Ao adormecer, Clara sonha com um universo mágico onde brinquedos ganham vida, dançam e travam batalhas, levando-a ao encantador Reino das Neves e ao deslumbrante Reino dos Doces. Lá, Clara e seu príncipe são homenageados com danças típicas de diversos países, culminando em um grandioso grand pas-de-deux da Fada Açucarada.
Este ano, a temporada conta novamente com a participação especial da primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ana Botafogo, uma das mais reverenciadas artistas da dança brasileira. Além disso, pela primeira vez, o público terá a oportunidade de assistir ao casal de solistas brasileiros Monike Cristina e Ivan Domiciano, do Ballet de Johannesburgo, África do Sul, enriquecendo ainda mais a experiência.
Felipe Carvalhido, ator que há 17 anos interpreta com maestria o enigmático Drosselmeyer, tio de Clara, também retorna ao palco. O Circo Escola Picadeiro será o responsável pelos efeitos especiais.
Novidades dessa temporada
Os espectadores serão surpreendidos por novos cenários, desenhados para intensificar a imersão e o encantamento que a narrativa proporciona. Sob a direção artística de Dany Bittencourt, a montagem promete encantar, mantendo a essência que torna “O Quebra-Nozes” um espetáculo atemporal e com sessão extra no dia 23 de dezembro ás 16h. “Todas as temporadas são especiais, e esse ano está ainda mais, pois além dos convidados, estreamos novos cenários e figurinos, tornando ainda mais imersivo e envolvente o sonho de Clara”, finaliza Dany.
Minha paixão e da minha amiga e companheira de ballet Ana Cláudia Paixão – que assina esse texto comigo – pelo Quebra Nozes será eterna, e sabemos o quanto ele representa para a arte da dança no mundo.
A montagem “O Quebra-Nozes” reafirma sua relevância e apelo universal. Seja em São Petersburgo ou São Paulo, o balé continua encantando gerações, transformando o palco em um portal para a magia e a imaginação.

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