Relâmpago: Revista em casa a partir de 10,99

Vai indo que eu já vou: o prazer da solidão

Há delicadeza no ato de estar sozinha. Entenda a transformação da solidão em um abraço quente

Por Liana Ferraz
16 dez 2024, 15h00
Existe prazer na solidão?
O silêncio pode renovar o amor (Prolific People Co, Andrea Piacquadio/Pexels)
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Sabe quando você diz: “vai indo que eu já vou”? Ou quando você, num dia de verão, nas férias com família ou amigos, decide pular aquele dia de praia? Ou recusa aquela pizzada no centrinho da cidade? Tudo isso pra ficar um tempo sozinha.

Sempre fui dessas. Vai indo que eu já vou, e a casa toda minha com o revirado cheiro das presenças que agora ocupavam o elevador e logo estariam a uma distância segura. Não era apenas esperar saírem, era também esperar o tempo do imprevisto, daquela coisa esquecida que faria a pessoa escancarar a porta em busca do objeto imprescindível.

Não poderia correr o risco. Então era olhar pela janela e ver, amigos e amores caminhando em direção a um lugar qualquer, desde que me deixassem com a casa e a suspensão. O momento em que se ouve o ruído da geladeira.

Viro meus olhos e encaro a casa com seus objetos recém-tocados. Uma xícara, talvez esquecida na mesa do café, as almofadas do sofá, o tapete com a curva da pressa. Estamos exaustos, os objetos e eu. Em silêncio, contemplamos a solidão. Sou uma poltrona agora, uma cama.

Sou algo que é sem precisar mostrar que é. Sou qualquer coisa que existe tanto que não precisa ficar exibindo uma existência. Nada se moverá a não ser que eu mova. E isso me traz uma paz que não sou nem capaz de explicar. Minha bagunça ficará intacta e não será preciso levantar correndo por achar que alguém quer se sentar justamente na cadeira que acabei de escolher.

Estou quieta da performance que, sim, mesmo diante das pessoas mais íntimas, sinto que tenho que executar. E não por alguma opressão, nada disso. Performar é a base das relações humanas. A solidão é a única pausa possível de um movimento que pode ser delicioso, inclusive, mas que sempre me exige muita energia.

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Diante da casa vazia, converso com o silêncio: o que eu faço com você? Numa dessas viagens, com família e amigos muito queridos, a resposta para essa pergunta foi: nhoque. Havia recusado um dia de praia. Todos montados para o sol e eu ansiosa para conversar com a quietude da mata que invadia a casa.

Como ser feliz sozinha?
É possível encontrar felicidade nos momentos de solidão (Cottonbro Studio/Pexels)

Assim que saíram, os amei profundamente. Primeiro, porque não insistiram para que eu fosse, e segundo, porque é na distância que renovo meu amor. Amei tanto que brotei um nhoque diretamente de um saco de batatas e um molho diretamente de um saco de tomates.

Sozinha, cozinhei, sovei e parti em almofadinhas a massa, enquanto uma panela imensa fervia um molho bom. Sozinha, cozinhei pensando em cada um deles e feliz por cada minuto em que eles não estavam e feliz por cada bocada que eles dariam em breve.

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Eu gosto de alimentar as pessoas que amo. Gosto da alquimia da cozinha e das bocas. Sozinha, descanso e imagino o amor, para depois fazer nascer o real daquilo tudo. Sozinha, vou criando o sorriso de quem ainda não chegou e assisto em paz a beleza de amar e ser amada. 

No dia do nhoque foi assim. Incredulidade! Você fez nhoque? Fiz. Da batata? Sim! Na hora da refeição, mesa posta e comida pronta. O primeiro e único prato que servi, foi o meu. Não seria justo comer frio o fruto do tempo da solidão. Não seria justo comer frio o tempo do amor.

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